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Pé Diabético

Transporte Transverso de Tíbia no Tratamento do Pé Diabético

É uma nova estratégia para estimular a circulação e reduzir amputações

Pé Diabético

1) O que é?

O pé diabético é uma complicação do diabetes causada por:

* Má circulação sanguínea (microangiopatia diabética)
* Lesão dos nervos (neuropatia)
* Maior risco de infecções
* Dificuldade de cicatrização

2) Consequências

* Feridas crônicas
* Internações frequentes
* Amputações
* Redução da qualidade de vida

3) Mensagem:

Uma pequena ferida pode evoluir para uma infecção grave quando o sangue não chega adequadamente aos pés.

a. Dimensão do Problema

* Cerca de 15–25% dos diabéticos podem desenvolver úlcera no pé durante a vida.
* Em fases avançadas pode haver risco de amputação.
* Sofrimento do paciente e familiares
* Perda de qualidade de vida

Tratamentos Convencionais com Medidas básicas:
✓ Controle glicêmico
✓ Curativos especializados
✓ Antibióticos quando indicados
✓ Cirurgias de desbridamento
✓ Alívio de pressão (offloading)

Revascularização:
* Cirurgia de by-pass
* Angioplastia

Nem todos os pacientes possuem vasos adequados para revascularização.

4) O Conceito do Transporte Transverso de Tíbia:

É uma técnica baseada nos princípios de distração osteogênica (proliferação de todas as células regionais pela distração óssea) desenvolvidos por Gavriil Ilizarov - ILIZAROV, na Rússia, em meados do século passado e evoluída recentemente pela medicina para outras áreas..

a. Objetivo

- Estimular:
* Formação de novos vasos sanguíneos
* Melhora da microcirculação
* Cicatrização de feridas
* Salvamento do membro
O organismo é estimulado a criar uma nova rede de circulação para o pé.

5) Princípio Biológico:

Quando um segmento ósseo (da tíbia) é movimentado lentamente:
* Ocorre tensão controlada dos tecidos
* Liberação de fatores de crescimento
* Formação de vasos sanguíneos (angiogênese)
* Melhora da perfusão sanguínea distal do membro
Resultado esperado
*Mais sangue chegando ao pé.

6)  Técnica Cirúrgica:

1. Pequena osteotomia na tíbia proximal
2. Criação de um fragmento ósseo cortical
3. Instalação de fixador externo
4. Transporte lateral gradual do fragmento ósseo
5. Retorno do fragmento à posição original

Tempo de tratamento
Geralmente algumas semanas (em torno de 6 semanas).

7) Representação sequencial:

Etapa 1: Osteotomia e criação do fragmento
Etapa 2: Transporte gradual
Etapa 3: Retorno
Etapa 4: Consolidação e angiogênese
🩸 Novos vasos sanguíneos

  

8)  Mecanismo Biológico:

Possíveis efeitos observados
* Angiogênese
* Arteriogênese
* Recrutamento de células progenitoras
* Melhora da oxigenação tecidual
* Aumento da perfusão microvascular no membro

Evidências:
Estudos demonstram aumento da vascularização e melhora da cicatrização em pacientes selecionados.

9) Indicações:

✓ Pacientes com úlceras crônicas do pé diabético
✓ Isquemia crítica do membro
✓ Falha ou impossibilidade de revascularização convencional
✓ Alto risco de amputação

Necessidade de avaliação multidisciplinar
* Ortopedia
* Cirurgia vascular
* Endocrinologia
* Infectologia
* Enfermagem especializada

10) Contraindicações Relativas:

Situações que exigem cautela:
* Infecção óssea extensa
* Instabilidade clínica grave do paciente
* Controle glicêmico muito inadequado
* Baixa adesão ao tratamento
* Condições que impeçam acompanhamento rigoroso

11) Evidências Científicas:

Diversas séries clínicas relatam:
* Altas taxas de cicatrização
* Redução de amputações maiores
* Melhora da dor
* Melhora dos parâmetros de perfusão

12) Vantagens Potenciais:

✓ Preservação do membro
✓ Melhora da circulação distal do membro
✓ Alternativa para casos complexos
✓ Potencial redução de amputações
✓ Aplicação relativamente simples para equipes treinadas

13) Possíveis Complicações:

* Infecção dos pinos do aparelho
* Dor
* Fratura
* Consolidação inadequada
* Necessidade de reintervenção

# Prevenção
* Técnica adequada
* Seguimento rigoroso
* Controle metabólico

14) Mensagens para Pacientes

O que o paciente precisa saber?

* Não substitui o controle do diabetes.
* Não elimina a necessidade de curativos.
* Requer acompanhamento frequente.
* Pode ajudar a evitar amputações em casos selecionados.

A participação do paciente é fundamental.

15) Conclusões

✅ O pé diabético é uma das principais causas de amputação.
✅ O transporte transverso de tíbia (TTT) é uma técnica baseada na mecanobiologia e angiogênese.
✅ O TTT pode melhorar a microcirculação e favorecer a cicatrização.
✅ O TTT surge como alternativa promissora para pacientes sem opções convencionais de revascularização.

Referencias:

  • Ilizarov GA. Pseudarthroses and defects of long tubular bones. In: Transosseous Osteosynthesis [Internet]. Berlin, Heidelberg: Springer Berlin Heidelberg; 1992. p. 453–94. Available from: http://dx.doi. org/10.1007/978-3-642-84388-4_9.
  • REVIEW ARTICLE Chinese Association of Orthopaedic Surgeons (CAOS) clinical guideline for the treatment of diabetic foot ulcers using tibial cortex transverse transport technique (version 2020) Qikai Huaa,1, Yonghong Zhangb,1, Chunyou Wanc,1, Dingwei Zhangd,1, Qingping Xiee,1, Yeliang Zhuf,1, Longbin Baig, Jun Liuh, Yongkang Yangi, Xiaohua Panj, Sihe Qink, Long Qul, Xinlong Mac, Samuel KK. Lingi, Jinmin Zhaoa,**, Gang Lii,*, on behalf of The Chinese Association of Orthopaedic Surgeons (CAOS), Taskforce Group of Tibial Transverse Transport Technique for the Treatment of Diabetic Foot Ulcershttps://doi.org/10.1016/j.jot.2020.05.003 Received 8 March 2020; Received in revised form 16 May 2020; Accepted 20 May 2020 Available online 28 June 2020 2214-031X/© 2020 The Author(s). Published by Elsevier (Singapore) Pte Ltd on behalf of Chinese Speaking Orthopaedic Society. This is an open access article under, Journal of Orthopaedic Translation 25 (2020) 11–16
  • Tibial cortex transverse transport: a promising alternative for critic ischemic infrapatellar lesions Fabio Lucas Rodriguesa, Gabriela Ubeda Santucci Françaa, Jhennifer Balbinot da Silvaa, Luciene Nascimento Limaa, Rafael Vilhena de Carvalho Fursta, André Luiz Pereira Fornitanoa, Gustavo Lollia, João Antônio Correaa, J Hum Growth Dev. 2025; 35(3):476-485. DOI: 10.36311/jhgd.v35.18276,

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